Você já viu anúncios prometendo mudar sua vida em um final de semana? Retiros, cursos intensivos, imersões… tudo com a promessa de que, em poucos dias, você será uma nova pessoa.
Eu já achei que isso realmente pudesse acontecer, até porque já ouvi relatos que pessoas que mudaram assim, mas isso nunca aconteceu comigo. Porque transformação é processo!
Já investi tempo, dinheiro e esperança em experiências que pareciam ter o poder de me transformar por completo. E foram experiências profundas, algumas lindas e outras nem tanto. Mas a verdade é que a transformação que eu procurava, não aconteceu lá no curso, no retiro ou na vivência. Ela aconteceu depois, com o passar dos dias e continua acontecendo.
A ilusão da transformação instantânea
A gente vive numa cultura da pressa. Queremos resultados rápidos, dietas milagrosas, mudanças drásticas. E é tentador acreditar que um evento isolado pode resolver anos de padrões, hábitos e crenças limitantes.
Mas pense comigo: se você levou cinco anos para criar e manter um hábito ruim, é realista esperar que ele desapareça em quinze dias? Nosso corpo, nossa mente e nossas emoções precisam de tempo para assimilar novas práticas.
O desapego como exemplo de transformação cotidiana
O mesmo vale para o acúmulo de coisas. Você levou anos para juntar cada objeto, roupa e lembrança na sua casa. O processo de desapegar não precisa, e nem deve, ser instantâneo.
Às vezes você consegue dar um passo grande, liberar muitas coisas de uma vez. Outras vezes, o avanço é mais lento, com pausas, dúvidas e até retrocessos. E tudo bem.
Cada vez que você se desapega de algo que não serve mais, abre espaço na casa, na agenda e no coração. Isso é transformação duradoura, construída passo a passo.
Transformação é processo, não evento
Minha maior virada de chave aconteceu quando eu percebi que a verdadeira mudança não se dá apenas dentro de um retiro ou sala de aula. Ela acontece quando voltamos para casa e aplicamos o que aprendemos no cotidiano.
Foi isso o que eu ouvi da Dra Susan Andrews, fundadora do Instituto Visão Futuro, durante o curso de Biopsicologia. Ela disse:
“Aqui é fácil ser iluminado, calmo e equilibrado. O grande exercício é lá fora, na vida real. A prática começa quando vocês forem embora daqui.”
Essa frase me marcou e sempre lembro dela. Porque dentro de um ambiente seguro, cercada de pessoas com objetivos semelhantes, é fácil manter a motivação e a direção. Difícil é sustentar tudo isso aqui no dia a dia, lidando com velhos gatilhos e pressões da rotina.
O papel do minimalismo na minha mudança real
Em 2016, comecei minha jornada no minimalismo. E não foi uma mudança radical, embora eu tenha tido alguns momentos de abrir os armários e doar um monte de coisas e depois voltar a acumular. Aos poucos, com a prática (e os erros) comecei a questionar o que realmente fazia sentido manter ou não, e não só no espaço físico, mas também na vida emocional, mental, nas relações…
Perguntas como:
- “Isso ainda faz sentido para mim?”
- “Ou só está ocupando espaço e bloqueando de eu ter o que eu realmente quero?”
Cada resposta e escolha mais consciente me ajuda a criar mais da vida que quero ter. E percebi que a transformação cotidiana é feita dessas pequenas escolhas conscientes, repetidas ao longo do tempo.
A força da comunidade no processo
Outro ponto que acelerou minha evolução foi encontrar uma comunidade. Estar ao lado de pessoas que entendem minha jornada, compartilham desafios e vitórias, e oferecem apoio nos momentos de desânimo, faz toda a diferença.
Nos últimos anos, participar de um grupo de estudo e prática do Pathwork (http://www.pathworkbrasil.com.br/) me ensinou o valor de caminhar junto. A cada encontro, novos conhecimentos, novas descobertas, novas perspectivas e fortaleço meu compromisso com meu próprio crescimento.
Como sustentar a transformação no dia a dia
Se você quer realmente viver uma mudança duradoura, aqui vão algumas verdades importantes:
- Experiências intensas são gatilhos, não soluções — Elas despertam, inspiram e abrem portas, mas o trabalho real começa depois.
- Constância vence intensidade — Um passo por dia vale mais do que correr uma maratona e parar.
- Gentileza com o próprio processo — Reconhecer pausas e retrocessos como parte natural do caminho.
- Ambiente e apoio certos — Cercar-se de pessoas, conteúdos e práticas que sustentem sua nova forma de viver.
O compromisso que muda tudo
Quando for a um evento, curso ou retiro, vá de coração aberto. Viva intensamente cada momento. Mas já volte com um compromisso:
“Eu vou levar o que aprendi para o resto dos meus dias.”
Porque a verdadeira transformação é processo. É silenciosa, lenta e cotidiana. Ela não acontece no momento em que você ouve uma frase inspiradora, mas quando escolhe, todos os dias, agir de forma diferente.
Vale a pena?
Sim. Porque um dia você percebe que já não reage como antes. Que deixou de comprar por impulso. Que conseguiu desapegar sem arrependimento. Que se sente mais presente e consciente, mesmo que por alguns segundos.
E nesse instante, você entende que cada pequeno passo valeu.
Conclusão: Não se iluda com promessas de transformação rápida. O que é real e permanente leva tempo. E tudo bem, é assim que deve ser. Se você quiser ter apoio nessa jornada, procure pessoas e comunidades que compartilhem dessa visão e caminhem junto com você.
Afinal, quando a gente caminha acompanhada, o processo deixa de ser solitário e passa a ser muito mais leve e sustentável.